8 de jan de 2015

{Resenha} Rewrite: a história de Kenny e Bee - Maciel T. - Bruno

Título: Rewrite;
Subtítulo: A história de Kenny e Bee;
Autor (a): Maciel Tavares;
Páginas: 230;
Editora: Clube de Autores/ Alphagrafics;

"Kenny Rogers é um garoto que acorda num quarto de repente, sem nenhuma memória, e é amparado por seu suposto irmão mais novo, Robert Rogers, mais conhecido pelo apelido "Bee". Entretanto, quando Bee lhe conta sobre si mesmo (Até aquele momento, Kenny era um irmão agressivo e violento, viciado em Vodka, e que por vezes, surrava Bee sem razões aparentes), ele percebe que repudia totalmente esses comportamentos, o que não deveria acontecer, se ele só perdeu a memória.E ao mesmo tempo, percebe que Bee está genuinamente feliz, ao ver que o irmão mudou de atitude, como ele sempre acreditava que um dia iria acontecer. É quando ele começa a investigar o que realmente aconteceu, na noite do dia em que acordou desmemoriado. O que realmente terá acontecido naquela noite?"



"Rewrite" conta a história de Kenny e Bee, como bem diz o título. É escrito em primeira pessoa e de cara, logo no primeiro capítulo, conhecemos os dois protagonistas.

Bee é o irmão mais novo e é um dos personagens com melhor desenvolvimento. Apesar de ter características raras em um ser humano, - como a extensa capacidade de perdoar - ele é bem definido e não se contradiz em nenhum momento. Já o Kenny, devido a sua total perda de memória, mais parece aquelas crianças em suas épocas de dúvidas. Por que o céu é azul? Por que a terra gira? Por que eu te batia tanto antes de perder a memória? Esse é o Kenny. Ele repete excessivamente pensamentos e questionamentos durante todo o livro. A partir do meio da história mais ou menos, nós entendemos o motivo para ele não ser mais a pessoa que era, antes do dia em que acordou sem memória. Mas mesmo assim, ele continua sendo um pouco cansativo. Quanto aos demais personagens é complicado descrevê-los sem ser agressivo. A verdade é que todos soam meio falsos. O tipo de pessoa que é algo na sua frente e nas suas costas muda. Eles poderiam ser mais profundos e humanos. Assim talvez eu perderia essa impressão.

O enredo a princípio está escondido.  Você simplesmente não entende onde a história pretende chegar. Está um tanto despretensioso e sem rumo. Antes mesmo de começarmos a ler, sabemos que o foco da história é o núcleo dos dois irmãos, mas a perda de memória e a busca pelo real motivo disso acaba ganhando um pouco mais os holofotes. E logo a relação de Kenny e Bee é contada de forma esporádica. Vale lembrar que essa história se passa em um futuro um tanto quanto distante, mas apesar desse fato ser importante para que a história aconteça, ele é pouco desenvolvido e colocado do nada. Daria no mesmo se no meio da história aparecesse um: Opa, estamos no ano três mil, ok? Grave isso, é importante. Quase esqueci de avisar! O ano não é três mil, a propósito. Foi só uma forma que encontrei de exemplificar.

Depois que essa parte da história a respeito da falta de memória é de certa forma resolvida, a narrativa retorna para a relação Kenny e Bee. Mas aí, as coisas já não fazem muito sentido e você tem novamente aquela leve impressão de que os personagens estão soando falsos.

A história é contada boa parte na academia em que eles vivem e são treinados. Esse é um dos pontos que está quase impecável. Os lugares (corredores, dormitórios, refeitório, sala de aula, etc.) foram imaginados sem muitos problemas. Não senti falta de nenhuma descrição e nem achei descrições demais, de modo a ficar exagerado. O autor te dá espaço para imaginar algumas coisas do seu modo e descreve aquilo que é importante. Fica apenas minha dica: senti um pouco de falta das aulas. Os personagens falam tanto delas, mas não houveram descrições de treinamentos e aulas comuns a ponto de me deixar satisfeito.

Não são necessários conhecimentos sobre algo em específico para acompanhar a enredo. Tudo que foi apresentado, foi também explicado de forma adequada para a história acontecer. O autor poderia ter se aprofundado em alguns aspectos médicos para mostrar que domina o assunto que está escrevendo e deixar o leitor mais à vontade. Também tornaria a história mais palpável e de quebra, quem lesse aprenderia sobre os assuntos abordados. Mas como disse antes, a forma como a história apresenta as novidades e as explica é satisfatória.

Quanto a escrita, propriamente dita: um dicionário de sinônimos durante a revisão do texto, a tornaria muito mais agradável. É uma escrita fácil e gostosa. Não te prende tanto quanto deveria, logo é fácil terminar o livro em um único dia, mas se você parar de ler para voltar depois, talvez você não sinta tanta necessidade de retornar rápido.

A partir da página cento e trinta (um pouco pra mais, um pouco pra menos), fica fácil começar a deduzir o desfecho. Os detalhes no fim, acabam valendo a pena, mas o grande final acaba não sendo surpresa.

O objetivo do autor em te mostrar o amor entre irmãos e te envolver nos sentimentos presentes nessa relação, será atingido em leitores menos críticos*. Mas quem já é casca grossa no ramo da literatura, vai sentir falta de muita coisa. A história tem potencial, mas em resumo, precisa ser mais bem desenvolvida.

Minha nota é 2,5 de cinco, mas para o skoob, arredondo para cima, fechando 3. Recomendo o livro pra quem procura uma história casual e rápida, para se ler durante a correria do dia a dia.

*O que muito de vocês devem saber, é que o autor de "Rewrite" também colabora com o desenvolvimento do Literatura um Mundo para Poucos. Logo, ele teve total acesso a resenha antes mesmo de ser publicada e chamou minha atenção para essa frase em específico, dizendo que eu estava equivocado. Eu prometi uma retratação e você pode lê-la logo abaixo.

Segundo o Maciel, "Rewrite" é um livro voltado exclusivamente para o público infantil. E em tese, crianças são leitoras menos críticas. De fato, é uma afirmação válida. Porém, eu gostaria de ressaltar que em nenhum momento fica claro que é uma obra voltada para o público infantil. E parafraseando o autor: "A própria obra como se apresenta já deixa isso bem claro!". Ótimo, mas não. Não deixa.

"Rewrite" trata de assuntos que não são feito para crianças. É simplesmente uma pena o fato de que citar tal assunto seja um tremendo spoiler. Porém, você que está lendo essa resenha, caso venha a ter contato com a história, entenderá o que quero dizer. E levando em consideração que é uma história voltada para o público infantil, fica minha dica: "A História de Kenny e Bee", que atualmente é o subtítulo, seria um título principal muito mais propício que "Rewrite". Afinal, ninguém espera que todas as crianças de 10 anos entendam o que isso significa certo?

Aqui termina minha observação.*

Bom, é isso pessoal. Espero que tenham gostado. Essa foi minha primeira resenha para o blog e não será a última. Ficarei feliz com quem puder comentar o que achou, seja bom ou ruim. E eu fico por aqui... Até a próxima o/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá leitor!!!
Obrigada por dividir sua opinião :*
Saiba que seu comentário muito provavelmente vai me deixar (Laryssa) pulando de alegria (literalmente, sou beeeeem exagerada :p).
Se você quiser que ele seja respondido, deixe um link, caso contrário, eu o responderei aqui mesmo no blog, tudo na medida do possível.
Beijoooooos *-*

Código by: The Dawn of Art Designs(http://thedawnofartdesigns.blogspot.com.br//) | Layout/Design by: Ana Zuky | Todos os direitos reservado ao blog Resenhas Teen