Resenha: O Pequeno Nicolau - Sempé; Goscinny - Maciel

Nome: O Pequeno Nicolau;
Autor: René Goscinny;
Ilustrador: Jean Jacques Sempé;
Editora: Martins Fontes;
Ano: 1956 a primeira versão. A versão lida é mais recente, mas não tem informação do ano.


As divertidas aventuras do Pequeno Nicolau, um menino igual a muitos outros, são narradas com humor perspicaz por Goscinny, o inesquecivel autor de Asterix, e ilustradas pelo genial Sempé. As travessuras do Nicolau e sua observações hilariantes sobre os colegas, os pais, os professores e as situções do cotidiano têm cativado crianças e adultos do mundo todo.




Foi com grande surpresa que me deparei, em um dia de folga, com o anúncio de um filme aparentemente infantil mas apresentado como sendo para toda família. A sinopse me pareceu interessante. Tranquei a faculdade (mentira, não posso não! 0.0 ) e fiquei em casa para ver o filme. Fiquei totalmente preso nele desde o início até o final. Na sequência, fui pesquisar também sobre informações técnicas. Foi quando fiz uma descoberta que me fez ganhar o dia: Tratava-se de uma adaptação de livro! E não era um livro só, mas toda uma série! Agora sabemos de onde veio a inspiração do Diário de um Banana!

Fui como um louco atrás do primeiro livro da série. Ele foi publicado na frança em 1956 por René Goscinny, que diga-se de passagem é o mesmo criador de Asterix e Obelix. Peguei uma das versões recentes e comecei a ler.

Ao contrário do filme, o livro não narra um único acontecimento durante todo o livro, mas uma série de acontecimentos rotineiros na vida de crianças como Nicolau não somente na sociedade francesa da década de 1950, mas também, das nossas. Apesar do contexto histórico, por meio da visão de Nicolau sobre o mundo a sua volta, Goscinny consegue trazer a tona tudo aquilo que é atemporal nas crianças: A ingenuidade, A inocência, A alegria... O amor. Enfim, a imagem de criança construída pelo livro é totalmente atemporal, muitas vezes relembrando a nossa infância, mesmo ela tendo se passado a décadas e quilômetros de distância da de Nicolau.

O único ponto negativo do livro é o excesso de personagens que atendem a estereótipos: O menino inteligente que é o primeiro da classe e por isso é o queridinho da professora; O menino gordinho que come demais e anda com os bolsos cheios de comida; O mais forte da sala que é um valentão que gosta de sair distribuindo socos; A professora que está sempre com os nervos a flor da pele por causa dos alunos; E por aí vai. Acho que isso era desnecessário.

Mesmo assim, todos os personagens são cativantes, e porque não dizer, fáceis demais de se apegar, no caso do leitor que, como eu, adore crianças. (PS: Quero um filho como Nicolau! *-* ).

É quase impossível escolher um único trecho para mostrar um pouquinho do que é o livro, pois todos os contos são singulares, mas segue um interessante, sobre o dia em que as crianças ensaiaram (ou tentaram) a peça "O Pequeno Polegar" para interpretar na escola em um evento.

Nós ficamos na frente do quadro-negro. Eu tinha uma régua na cintura para fazer de conta que era uma espada e o Agnaldo começou a ler o papel dele. "Meus irmãos, onde estão meus pobres irmãos! - Mas que diabo você está fazendo, Alceu?", perguntou a professora. "Ora, o Alceu respondeu, eu não sou o que assopra? Então, estou assoprando! - Professora, o Agnaldo disse, quando ele assopra ele espirra pedaços de bolacha nos meus óculos e eu não enxergo mais nada! Vou contar tudo para os meus pais!", e o Agnaldo tirou os óculos para limpar, então o Alceu aproveitou logo e deu um tapa nele. "No nariz!, o Eudes gritou, bate no nariz!" O Agnaldo começou a gritar e a chorar. Disse que era infeliz e que estavam querendo matar ele e começou a rolar no chão. O Maximiliano, o Joaquim e o Godofredo começaram a representar a multidão: "Olhem, o Pequeno Polegar e o Gato de Botas!" Eu lutava com o Rufino. Eu tinha a régua e ele um espanador. O ensaio estava indo muito bem quando, de repente, a professora gritou: "Chega! Para os lugares! Vocês não irão representar essa peça na festa. Não quero que o Diretor veja isso!" Nós todos ficamos de boca aberta:Era a primeira vez que víamos a professora castigar o diretor!




Em breve, estarei lendo todas as outras sequências para resenhar para vocês. De minha parte, o livro é super recomendadíssimo!

Ps: Vai ter sequência do filme! :D

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