23 de jun de 2013

Resenha: Pacto Secreto - Eliane Quintella - Laryssa

Falar deste livro tornou-se estranho e delicado para mim, pois minha opinião foi tão diferente das outras tidas pelas pessoas que me sinto deslocada. Minha tia avó Mari (que tem pouco mais que 50 anos), uma grande incentivadora minha, não gostava de ler e achava um livro maior 200 páginas absurdamente grosso. Porém, ao ver que este livro falava sobre Deus e Diabo, pactos e culpa, logo se interessou por ele e o devorou em um mês (recorde, acreditem em mim). Desde então, exclusivamente graças a ele, tem lido livro atrás de livro, cada vez mais rápido e livros maiores (está lendo "Bridget Jones: No Limite da Razão", que tem 444!). Dessa forma, durante a leitura, fui sentindo-me desconfortável ao não "curtir" o livro.

Título: Pacto Secreto;
Série: Trilogia Pacto Secreto #1;
Autor (a): Eliane Quintella;
Páginas: 357;
Editora: Novo Século/Novos Talentos da Literatura Brasileira;
Nota: 3/5;
Status do Fim da Leitura: 'Qual a razão de eu ser assim?'
Três regras haviam sido reveladas à Valentina. Mas, ela não sabia se existiriam outras regras que teriam sido ocultadas. Tinha certo em seu coração que precisava ter seu pedido atendido. Era o que havia de mais importante. Precisava decidir se assinaria ou não o pacto. É a pergunta que não se cala. Será que Valentina deveria assinar o pacto sem ter certeza do que estava em jogo? O que realmente assumiria se assinasse? E você, assinaria o pacto? Em troca, teria o que pedisse. Poderia ser qualquer coisa...



A narrativa é perfeita, já digo, simples e direta, apesar de sofrer danos indiretos, tais como: peca no sentido de que durante os diálogos, dado personagem repete a mesma coisa de três ou mais maneiras e o outro ainda não compreende. Claro, isso talvez possa ser proposital, porém quando se entende de primeira, isso se torna plenamente irritante. O que puxa a linguagem adolescente incomum para uma mulher de 28 anos, idade de Tina. Outro ponto é a revisão do livro, que permitiu frases duplas, ainda marcadas com aspas (???), entretanto isso não convém no momento. Voltando a narrativa (me desviei demais -_-), apesar do que citei, faz a estória andar e não se demora em explicações (a não ser que a Valentina esteja falando com o "enviado", aí esqueça).

Ao se ler, é possível perceber que a autora teve uma base de pesquisa grande, pois inúmeros mitos, fatos e passagens bíblicas, antigos em sua maioria, são postos resumidamente no decorrer do livro. Em relação a elas, não é necessário pesquisa própria, as explicações que Eliane dá são de fácil compreensão.

Quanto ás palavras, o que mais encantou minha tia, não são difíceis. Usei o dicionário uma vez para um sentido que não se encaixava, apenas. A linguagem comum, sem enfeites e exageros (tão usados hoje em dia), proporcionam uma leitura leve.

Quanto á ideia da autora, ou seja a história. Cativou-me na sinopse, porém no começo do livro, praticamente até a metade, enrola-se, ou melhor não cria suspenses. Até que fatos inéditos começam (apenas começam, brechas foram deixadas á meu ver) a se desenvolver e a criatividade totalmente original da autora impõe-se como algo a não ser ignorado.

Porém, contrapondo essas ideias, temos a falta de romance e ação. As coisas andam, claro, mas apenas nas informações e explicações. Não há muitas ocorrências emocionantes, a situação toda, contrariando a premissa, gira em torno da culpa e dos sentimentos confusos de Tina (desenvolverei essa parte depois) e não bem da assinatura do pacto (falarei sobre os motivos que a levarão a reflexão do sim ou não aos meus olhos daqui a pouco), o que frustrou-me. E o romance, bem... O enviado a tenta no lado da atração física, porém senti falta de algo nele, não ouve carisma e por mais que haja justificativa para a falta, ainda não conformo-me.

Admito que as personagens são bem escritas e desenvolvidas, porém isso não impede de existir um furo na maneira com que a autora as usa e em sua condução da principal. A premissa de moça culpada e religiosa proposta pela autora, aos meus olhos pareceu de uma mulher narcisista e hipócrita (agia como adolescente, não desenvolvia suas ideias e vivia em seu mundinho, o pouco respeito que criei pela personagem veio do fato de que quando quer algo, ou necessita se informar, não deixa que o façam por ela, corre atrás). Em todas as suas maneiras de agir pude interpretar um duplo sentido, que se visto sem analise, realmente aparenta ser simples. Talvez venha de mim essa noção de procurar o pior de cada pessoa, porém Tina realmente não cativou-me em momento algum. Quando a maneira de usá-las, me refiro a dois fatos. O primeiro é de Tina ser rica, e não poupar palavras para descrever sua casa, fazenda e diversos carros. Menções e detalhes veem-se muito bem vindos aos meus olhos, porém a extensa descrição por meio de fatos pode ser cansativa, e comigo foi. O segundo é que todos os coadjuvantes, apesar de serem importantes e Eliane tê-los feito melhor do que ninguém, não fizeram-me sentir apelo para com eles.

Quanto ao jeito que me senti durante a leitura: os sentimentos propostos pela autora, na premissa e no decorrer da história são vagos, quando prometem ser profundos. E é aí que o livro me trouxe reflexão. Ao contrário do que esperava, não foi em sua frieza (Tina), ou na condição de Sara, ou na religião posta em pauta ou em qualquer outro lugar. Estranhamente, ao ler, eu me perguntava por que era tão fria e insensível e não conseguia de forma alguma procurar o melhor nos personagens, me por em seu lugar e afins. Tudo o que eu via era negativo, não enxergava um traço de boa ação neles, todos pareciam frios e postos ali apenas para ocupar espaço, o carinho que as falas demostram aparentavam ser tão falsos, ao ponto de me encontrar serrando os dentes. E aí entrei em divergência e negligenciei a leitura por um tempo. Estava ficando com questões demais e esse é o grande motivo dessa resenha ser difícil para mim. Vejo o potencial do livro, entretanto, acima disso, criei um bloqueio para aceitar a parte sentimental. Talvez eu esteja delirando, talvez não. Porém é exatamente desta forma que me senti.

Me despeço de vocês com a mão no coração e os ombros pesando. O livro me fez ter uma dura reflexão comigo mesma e admito a vocês que não gosto disso. Porque toda essa frieza? Porque a raiva nos momentos de "oh, meu papai querido!", "minha filha adorada" e "quanto orgulho"? Isso é pessoal. E mesmo que isso pareça desconfortável, me fez olhar o livro com novos olhos, porque apesar de o objetivo que vi não ter sido alcançado, o meio de reflexão que me proporcionou, um tanto filosófico, mesmo não sendo agradável, foi válido, considerando-se que não havia passado por essa sensação antes.

4 comentários:

  1. Olá Laryssa!

    Comprei esse livro a pouco tempo e está na minha lista de leitura dessa semana e espero ter uma visão mais crítica sobre a obra depois de ter lido sua resenha.
    Um livro que fiquei da mesma forma que você foi o livro A Ideia e As Vantagens de Ser Invisível, foram os dois livros que tem um ótimo enredo mas de alguma forma tive um GRANDE bloqueio pra gostar TOTALMENTE da obra D:

    Beijos,
    Nathália
    Nova resenha em Livroterapias

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    1. Oi Nathália!
      Bem, espero não ter lhe deixado inclinada a não gostar do livro :/
      Nunca li "A Ideia" (é brasileiro, certo? Lançado pela Novo Século?) e nem "As Vantagens de ser Invisível", porém esse segundo, nem tenho vontade. Um amigo leu e me deu tanto spoiler e outro achou maçante e reclamou tanto que com certeza, não iria gostar.
      Obrigada pelo comentário!
      Beijos =*

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  2. Oi Laryssa como vai?
    Gostei da resenha.Sua opinião é bem diferente das resenhas que vi,realmente ter partes confusas mas ao meu ver era para simples complicação.
    O início foi enrolado,mas o livro fica ótimo depois ^^.
    Também fiquei com raiva pensando porque fala mas não faz,ou porque nunca decide e tal,mas consegui entender o ponto da autora e enxergar a reflexão.
    Sabe o que é legal,o livro me deu uma reflexão baseada em uma coisa pessoal também ^^
    Bom,espero que teve ótima leitura!
    bjus flor e tenha ótima semana.
    Tamires C.

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    1. Oi Tatá, vou bem :P
      Concordo que o desenrolar é até legal, porém quado crio um desgosto início da estória eu fico naquela: 'Não faz isso!', 'Para de reclamar e age!', 'O que você esperava que acontecesse?' e afins, e por mais que a autora fizesse mil e um malabarismos, minha birra ia continuar.
      Não foi ótima, entretanto foi até proveitosa!
      Beijos e para você também! :*

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Olá leitor!!!
Obrigada por dividir sua opinião :*
Saiba que seu comentário muito provavelmente vai me deixar (Laryssa) pulando de alegria (literalmente, sou beeeeem exagerada :p).
Se você quiser que ele seja respondido, deixe um link, caso contrário, eu o responderei aqui mesmo no blog, tudo na medida do possível.
Beijoooooos *-*

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