Crônica: Uma breve história - Bruno

Olá pessoal! Faz um tempinho que não posto nada aqui no blog... Mas hoje trago pra vocês, uma crônica que escrevi faz pouco tempo. E apesar de ter planos para estender essa crônica, ainda acho de suma importância saber o que as pessoas estão achando do que escrevo... Caso recebam de forma positiva, eu posso postar as posteriores continuações ^^. Vamos a crônica!




Kate, nasceu em 1953, época na qual tudo era menos acessível, tal como escolas, hospitais, clínicas, bibliotecas, museus, entre outras coisas cujo o acesso é indispensável nos dias atuais. Viveu boa parte de sua infância isolada na própria cidade, e estudou até a sexta série, tendo repetido duas vezes, já que não podia dedicar-se ao trabalho no qual era necessário estar e à escola de forma plena. Um dos lados tería que ficar prejudicado, e ela fez sua escolha. Ao término do sexto ano do ensino fundamental, largou a escola e passou de meio período para período integral no serviço que fora indicada por uma de suas tias, onde passava os dias de semana na casa dos patrões Melissa e William, cuidando de tudo um pouco. E só voltava pra casa nos finais de semana tendo o mísero pagamento em mãos.

Melissa e William, eram o conhecido casal Fline. Donos de uma grande empresa na época, eram vistos a olhos marejados de inveja, por todos aqueles que diziam ser seus amigos. Pais de Roberto e Aline. Uma menina de 12 anos tão paparicada pelos pais que já não fazia mais nada, a não ser reclamar de tudo que a rodeava. E Roberto, adolescente de quase mesma idade que Kate, que arrancava suspiros de quase todas as meninas que o conheciam. Cabelos impecavelmente penteados para trás, e com uma roupa mais cara que se podia encontrar, ia Roberto de um lado ao outro da cidade, todo pomposo desfilando na traseira de um dos carros de seus pais, tendo um motorista sempre ás suas ordens.

Alguns bons anos se passaram até que a família Fline, estava em iminente ruína. Tendo um dos seus sócios não cumprido sua parte no acordo e fugido para fora do país com grande parte do lucro anual da empresa, tudo se via desmoronando e a antiga empresa de família, logo declararia falência, nada mais poderia ser feito para mudar isso. Pelo menos nada mais dentro da lei... Roberto já não mais era aquele adolescente todo engomado, havia se tornado um homem muito pior! Um adulto sem escrúpulos e princípios, que poderia usar de qualquer artifício para manter tudo ao seu redor em ordem. Inclusive a empresa que herdaria dos pais.

Kate, nos seus 22 anos, trabalhava em uma lavanderia junto com sua prima durante os sábados e domingos, pois era quando a loja tinha muito movimento e toda ajuda era necessária para que aquilo tudo não se tornasse uma bagunça generalizada. O casal Fline morrera num acidente de carro, e desde então Kate nunca mais teve contato com Roberto, já que ela preferiu pedir as contas, em vista que almejava abrir um comércio em sua própria casa. Mas estava passando por alguns momentos ruins em sua vida financeira, e precisava de dinheiro para quitar as mensalidades que faltavam para que a casa na qual residia a tempos, tornasse a ser realmente sua. Então foi atrás daquele que tinha certeza que poderia recorrer, apelidado por ela mesma de Robert, não poderia ter mudado muito. Apesar de ter sido um adolescente um tanto arrogante, Robert lembraria dela e provavelmente a ajudaria! Após chegar perto da casa na qual certamente encontraria Roberto, Kate renovava suas esperanças a cada passo largo que dava em direção ao grande portão que mal sabia ela, separava-a de algo que marcaria sua vida para sempre.

Kate foi recebida por uma senhora, que dizia ser secretária do Sr. Roberto, e que ligou para o mesmo, permitindo a entrada dela que ia à seu encontro. Ela foi direcionada a um dos escritórios da mansão, onde estaria sendo aguardada por Roberto, e ao chegar lá, deparou-se com uma cena que pouco se via na sua estadia na enorme casa: Todas as janelas e painéis de vidro do escritório estavam fechados, não permitindo a entrada de nenhum feixe de luz. Deixando-a um pouco tensa com a situação, Roberto pediu para que ela se aproximasse e sentasse na cadeira logo á sua frente. Kate obedeceu, um pouco temerosa, mas ainda confiante de que tudo aquilo fosse apenas uma escolha dele, e que Roberto preferia trabalhar sem a intervenção da luz do Sol.

Demorando para perceber que estava enganada, Kate nada mais pôde fazer depois de tantas investidas mal sucedidas contra ele. E então vendo que a moça já se encontrava fraca e sem forças para continuar a se defender, Roberto consumou o que já pretendia desde que soube que Kate, a garota pela qual ele sempre teve uma grande atração sexual, viria ao seu encontro. E ela nada mais pode fazer, a não ser ficar estatelada no chão, com aquele homem sujo pairando sobre seu corpo, sua pele suada. Nada mais poderia ser feito...

***

Anos se passaram, e Kate nunca deixaria que Roberto soubesse o que aconteceu com ela após ter saído daquela sala de escritório sob suas ameaças, caso ela resolvesse contar a alguém o que ali aconteceu. Ela não deixaria que ele tocasse naquilo que se tornou a coisa mais importante de sua vida. Desde o acontecimento, uma nova vida se formara. Sim, apesar de ser um fardo no qual ela teria que carregar, Kate não estava disposta a punir uma pobre alma que nada pode fazer para se defender. Fazer isso seria estar no mesmo nível dele. E o amor que sentia pela filha, provava que ela era superior. O amor de uma mãe e uma filha, fez com que um ato tão cruel ficasse apenas no passado. Esse amor, cicatrizou todas as feridas que um dia já estiveram abertas, e selou dentro de uma pequena alma, que um dia seria grande, um poder que jazia nas mãos da pequena menina... Menina que completa hoje, cinco anos de vida...

- Eu te amo filha! - Disse Kate abraçando Melanie e chorando- Eu te amo ,tá?
- Tá bom mamãe... - Respondeu a menina inocentemente - ...Eu também te amo.

Comentários

  1. Que linda crônica, Bruno!
    O amor de uma mãe pela filha - mesmo que feita de modo inadequando - é o que vale, não é mesmo? *-*
    Abraços,
    Karol.
    http://heykarol.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que gostou *-*... Se Deus quiser e minha inspiração deixar, vou escrever mais um pouco dessa história, e quem sabe eu posto aqui!!
      Adorei seu blog, Karol! Sucesso!!

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  2. Oi tudo bem Bruno?
    Nossa suas crônicas são ótimas,vou acabar virando fã rsrsrs,gostei da primeira e esta então...
    Muito boa mesma,gostei.
    bjus
    Tamires C.

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    1. Tudo ótimo Tamires!!! Valeu pelo elogio! *-* Ainda não conhecia o seu blog, mas já estou seguindo e sempre que puder vou dar uma passadinha lá!! :3
      Obrigado mesmo pelo elogio!!!

      Abraço!!!

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  3. Que lindo! Só não gosto muito de crônicas pq elas são muito rápidas! a moça conseguiu pagar a casa? ta vendo só... rsrs x.x quero a continuação poxa.. rs
    http://coisasdebelaa.blogspot.com.br/

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    1. Oi Isabela! Confesso que também não sou muito fã de crônica (Ironia??), mas a verdade é que essa crônica talvez, transforme-se em no prefácio de uma história maior... Então postá-la assim em formato de crônica, facilita a parte em que eu peço a opinião das pessoas que leram... :3 rs'
      Obrigado pelo elogio!!! Me deixou realmente feliz... > <

      Um abraço!!

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