Crônica: Uma carta qualquer - Bruno

Olá pessoal!! Como meu primeiro post oficial (O de apresentação meio que não é válido, né?), trago pra vocês uma crônica que já escrevi a algum tempo. Estou postando para saber como vai ser a recepção dos leitores do Literatura: MPP. Eu já escrevi mais algumas coisas posteriormente a esse texto, e acho até que melhorei um pouco, mas enfim, isso não vem ao caso. Espero que gostem do que vão ler... Ficarei no aguardo dos comentários de vocês dizendo o que acharam! Vamos ao que interessa:





     Andando pela cidade em plena luz do dia, pessoas indo e vindo e eu, vagando, como se ninguém pudesse me ver. Como se eu fosse invisível.
    Desde a madrugada que estou nesse estado. Deve estar se perguntando por que. Bem, creio que você esteja mais confuso do que estava quando começou a ler esta carta, então vou tentar resumir um pouco da minha história.
    Peço que me perdoe caso perceba que a tinta esteja borrada. É que não sei se consigo escrever sobre o que aconteceu comigo sem lembrar de minha família, e bem, um homem não deveria chorar. Mas não é assim que as coisas acontecem.
   
Tudo começou em janeiro de 2011, todos nós ainda estávamos com náuseas pelo ano novo que correu tranquilo. Todos os familiares reunidos. Eu e minha esposa combinamos de viajar no dia três, pois assim passaríamos as festas de final de ano com a família e ainda teríamos uma semana para aproveitarmos em Búzios.
    Era nossa primeira viagem em família de muitos anos. Estávamos finalmente com uma estabilidade maior em nossos empregos, então conseguimos juntar dinheiro e alugamos um apartamento próximo da praia.
   Partirmos na madrugada de segunda. Pus meus dois meninos no banco de trás e minha esposa no banco do carona. Você deve estar achando que o que aconteceu foi um acidente, certo? Bem, se for isso, você se enganou, minha história não é tão simples assim. Chegamos todos são e salvos em Búzios, cerca de nove horas da manhã. Minha esposa foi dormir enquanto meus filhos ficaram vendo televisão.
  Tranquei a porta do apartamento ou pelo menos achei que tranquei, e fui á procura de um mercado para abastecer a dispensa. Então, foi aí que tudo começou. Esse foi o maior erro da minha vida.
   Quando cheguei em casa escutei meu filho mais novo chorando muito, larguei as sacolas que estavam comigo no chão e corri para abrir a porta. No primeiro momento achei que era a chave errada, mas logo depois de verificar todas as três que recebi do dono do apartamento e nenhuma delas funcionar, comecei a entrar em desespero, enquanto o choro ficava cada vez mais agonizante.
   Então corri e comecei a pedir socorro e logo todas as portas vizinhas foram se abrindo até que um senhor apareceu com um machado. Acho que ele deve deixá-lo próximo da porta para proteger a família.
  No impulso, peguei-o da mão dele e quebrei a fechadura da porta. Mas nesse momento o choro do meu filho já tinha parado. Isso não era bom. Arrombei a porta e saí em disparada para o quarto onde minha esposa estava dormindo e onde meus filhos provavelmente estariam.
   ***
   Desculpe-me por não conseguir continuar escrevendo naquele momento. Já se passaram três horas desde que eu parei de escrever. É muito doloroso descrever o que aconteceu, mas eu tenho que ser forte!
   Quando finalmente entrei no quarto onde minha esposa dormia, á encontrei deitada na cama em uma cena que me perturba até hoje.
   Ela estava toda ensanguentada e meu filho caçula também, morto no chão. Foi aí que entrei em desespero, destruí todo o guarda roupa a procura de alguém que tivesse feito aquilo, mas não encontrei ninguém. Olhei por toda a casa até que encontrei o desgraçado no quarto dos meus filhos, segurando o mais velho com uma faca em punho e ameaçando matá-lo caso eu não saísse do quarto.
   Talvez eu não tenha dito que meu filho é surdo e por isso ele não escutou o que acontecia no outro quarto. Comecei a sair lentamente e de ré e o ladrão veio andando na mesma velocidade em minha direção. Quando chegamos até a sala ele percebeu que estávamos sendo observados por alguns dos vizinhos que ainda continuavam no corredor.
   Então ainda com meu filho preso nos braços tentou correr para fora e nisso que virou as costas eu em um ato de desespero acertei o machado nele. Fui certeiro em minha mira e o peguei bem no crânio. Então o assassino caiu e meu filho ficou ali paralisado, como se não pudesse se mexer.
   A morte dele não foi lenta, já caiu morto. Corri e abracei meu filho, mas ele continuou sem reação, paralisado, não retribuindo meu abraço. Foi nesse momento que ele foi retirado de meus braços pela polícia, que não sabendo o que estava acontecendo achou talvez que eu fosse o causador de tudo.
  Fui preso e obrigado a dar depoimento assim como os vizinhos que presenciaram tudo. Eles chegaram na conclusão de que eu agi em legítima defesa e que a vida do meu filho estava em risco. Mas mesmo assim, tive que ficar dezessete meses preso por abandono de incapaz e homicídio doloso, pois eu mirei exatamente na cabeça, o que na visão deles não era necessário. Fico pensando o que eles fariam caso fosse o filho deles.
   Fiquei dois anos naquele inferno, minha estadia foi aumentada em seis meses por mau comportamento. Eu estava perturbado, estava em volto por assassinos e ladrões. E eu não sabia diferenciar quem era quem. Envolvi-me em três brigas e em uma dela perdi um de meus dedos e ganhei uma cicatriz em meu rosto.
  Por todo lugar que olhava sentia ódio, era como se cada um daqueles prisioneiros estivesse envolvido no assassinado de minha família.
   Quando saí fui atrás do meu filho e descobri que ele estava na casa de minha irmã, e que estava fazendo um tratamento psicológico, pois tinha ficado perturbado com a cena que presenciou aos doze anos.
   Hoje ele está com quinze e o trauma foi tão grande que ele já perdeu esses dois anos na escola e agora fica praticamente o dia todo em casa. Vegetando. Quando eu o vi naquele estado não aguentei e saí de casa. Falei com minha irmã para cuidar dele e disse que já voltava.
  E estou aqui sentado na janela do apartamento onde tudo começou. A investigação do caso não deu em nada, afinal estamos no Brasil. Ninguém sabe o motivo pelo qual ocorreu o ataque e meu filho está perturbado por minha causa.
   Estou escrevendo essa carta, pois não quero que o que vou fazer se torne apenas mais um caso não solucionado. Estou dando uma chance para a polícia fazer um bom trabalho pela primeira vez e descobrir o que realmente aconteceu.
   Nem que pra isso ela tenha que encontrar essa carta. Eu realmente espero que você tenha uma família, que você tenha filhos e um irmão saudável. Que você tenha um trabalho e que ele possa dar-te o que comer. Eu espero realmente que você seja feliz...
   Peço para quem encontrar essa carta que mostre para minha mãe e minha irmã, acho que elas vão sentir menos a minha falta se entenderem o que aconteceu.
    Perdoe-me mãe. 
   Deixo para vocês um desejo supremo que tenho certeza que você cumpririam mesmo que eu não pedisse: Cuidem do meu filho, e cuidem-se...
   A dor é muito grande e eu não posso suportar. Eu vejo apenas uma solução. Só assim a dor vai passar. Agora já é noite de novo, e tenho que fazer.

Adeus...


Comentários

  1. Gostei muito do seu texto! Você realmente entra na história, dá para ver a empolgação em cada palavra! Continue assim.. Parabéns!! ;)

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  2. É um texto bem forte e muito bem escrito, por um momento quase esqueci que era fictício.. Isso aew X)

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  3. Amei,no primeiro post esta assim,imagina nos próximos,vou visitar sempre seus posts.
    Acho que daria para escreve um livro...gostei bastante da crônica e realmente tocou bastante o coração.
    Brasil um país bom,mas péssimo em condições de leis(eu acho).
    Juro que ao ver o tamanho fiquei meio com preguiça,mas ao começar a ler acabou me prendendo a leitura,já conquistou rsrsrs.
    forte abraço Bruno
    Tamires C.

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  4. Valeu pessoal *-*... é ótimo saber que gostaram do que escrevi!! Brigadão mesmo por dividirem suas opiniões!! > <

    Um abraço!!

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