14 de jan de 2013

Sem Face - Italo

Oi galera, Italo mais uma vez. Perdido em minha ideias e em busca de um novo sentido para a vida, eu digito textos que as vezes me fazem pensar. Esse texto não é direcionado a ninguém específico. Porém, ele revela detalhes que as vezes deixamos passar, e no fim, se tornar crucial para uma boa continuação da historia de sua vida.



Abri os olhos e vi a multidão naquela noite calorosa de sábado; pessoas grunhindo meu nome, esperando que minhas baquetas rasgassem seus ouvidos, batendo instintivamente sobre a bateria. Ah... Eles ansiavam a sede disso...

O show acabou como uma farra relaxante. Triste, senti que faltava alguma emoção em meu peito. Tentei saciar essa nova sede indo para fora com um cigarro na mão. no meio do caminho em que percorria, ouvi tão solene uma voz baixa quase sem som, "Eu te quero..." a voz parecia sussurrar. Virei-me para todos os lados, até dar uma volta completa sobre o meu ponto de vista original, e percebi um aglomerado de pessoas, mas nenhuma delas com intenções de repetir o que fora dito.

Continuei meu caminho, chegando lá fora, em uma rua atrás da boate, com um cheiro de cidade e poluição no ar, pus os dedos sobre meu isqueiro, de forma em que ele pudesse fazer a chama aparecer e pensei por alguns segundos.

Enquanto olhava para a chama que mantinha o cigarro acesso, vi de forma rápida uma mulher. Estava de costas e era formosa de corpo. Usava um vestido vermelho bem ajustado a postura de seu corpo, cabelo loiro e volumoso, com mechas pretas bem fracas, uma jaqueta branca sem nenhuma mancha e um pouco amarrotada.
Estava parada de costas perto do beco escuro e sem luz, até que invadiu o local, fazendo um sinal com a mão, chamando-me, sem mostrar o rosto.

Parei de fumar e pensei se não poderia ser aquela a dona da voz. Corri para dentro do beco e ao me aproximar, vi a sua sombra. Aproximei-me mais cuidadosamente e ela correu como se fosse perseguida por uma fera sombria e assustadora. A noite estava gelada fora da boate e correr até o fim do beco, me fez olhar em volta precavidamente, até ver no chão sua jaqueta, que já não aparentava ser mais tão branquinha quanto antes.

Ouvi de imediato um som de um ônibus veloz. Olhei como se procurasse algo por lá.
Ela estava sentada na janela a direita do motorista.
Reconheci pelo cabelo, e notei que ela se foi sem olhar para traz.
Não pude ver a sua face, sem imaginar como seria o mistério de nunca te-la visto.
Lembrei-me da emoção que eu pensava estar faltando, e sua jaqueta era minha  lembrança. 

Ao apertá-la entre os dedos, senti alguns volumes entre os bolsos. Cada um deles tinha uma coisa a mais.
Um, uma rosa, cujo espinho me espetou, quase como se ela planejasse isso. E no outro, um rascunho em um papel meio amassado.
Este dizia "Eu te Quero... Mas você nunca me notou".
Pensei no fim imediato. Ela me parecia familiar, mas no fundo nunca a vi como deveria ver. Condenei-me a buscá-la para reparar a vida, mas ela sumiu como se fosse inexistente.

Cavei um buraco para minha própria vida, deixando passar uma chance dessas, na qual ela poderia ter reescrito minha história.

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